A PROVA DO MENTALSOMA (CORPO MENTAL)

(Extraído do livro: Projeções da Consciência / Capítulo 56 / Pag. 186-188 / Waldo Vieira)

19 de dezembro de 1979, quarta-feira. Deitei-me de costas no leito, às 3h 53min da madrugada, depois de escrever por algum tempo no escritório. Temperatura: 25 graus. Umidade: 72%. Lua: nova, às 5 horas e 24 minutos.

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De consciência alerta, com a atenção, comparação e juízo crítico aptos para todas as operações psíquicas, experimentei o estado vibracional e decidi firmemente sair do soma (corpo físico) na vertical.

Depois de algum tempo, percebi a saída da consciência para cima, sobre a cabeça intrafísica. O psicossoma (corpo astral = emocional) estava ainda dentro da forma orgânica, eu o sabia e sentia. E aconteceu aquela iluminação que não vinha de parte alguma visível, banhando o ambiente, onde os meus poderes de percepção visual surgiam enormemente aumentados.

Procurando manter o meu papel de observador impessoal, examinei a parede defronte à cama, pelo lado dos pés, que parecia mais distante e mais alta. A luz não me deixava ver os três posters afixados na parede, que julguei estarem ofuscados ou diluídos na claridade. A iluminação extrafísica mostrava-se mais intensa e reverberante.

Assinalei mentalmente: encontro-me consciente e enxergando tudo, sem estar completamente corporificado, em cima e atrás de mim mesmo. Sou uma consciência sozinha, separada de tudo, incorpórea e viva. E foi aí que consegui conscientizar-me da extensão da realidade, afirmando para mim mesmo:

- Eis aqui uma prova das possibilidades e da existência do mentalsoma (corpo mental) que se desloca sozinho! Sou, realmente, um "eu" incorpóreo! Estou só no mentalsoma com a consciência móvel dentro do meu quarto!

Há muito alimentava essa idéia-alvo: experimentar a existência isolada de consciência ambulante atuando lucidamente, sem o resto do psicossoma. Continuava a olhar para a parede, vendo a cabeça, o tronco, os braços e as pernas estirados, rígidos, brilhando intensamente no lado esquerdo da cama de casal, quando assisti à saída de meu braço direito extrafísico, como um clarão sugerindo fosforescência, tremendo e oscilando para cima e, logo em seguida, o braço esquerdo se ergueu nas mesmas condições. As oscilações continuavam. Até os dedos das mãos vibravam e tremiam iguais a chamas de velas. Os braços estavam nus, sem as mangas da blusa do pijama. A essa hora, será que toda a cabeça do psicossoma estava constituída em mim? Não saberia dizer com certeza. Julgo que o psicossoma estava deixando o soma e seguindo até o mentalsoma, para absorvê-lo, numa interiorização inversa, atraído pela consciência. Que ligação promove esta operação?

Houve a interiorização rápida e despertei-me incontinenti, de certo modo contra a minha vontade, contudo, prosseguindo mantendo a consciência contínua.

Tudo se passou em minutos breves, e a minha capacidade crítica inteiramente desperta. Não observei o cordão de prata nem qualquer formação de fumaça ou nevoeiro circundante, como às vezes acontece. Senti a gravei na memória que tudo sucedeu, nesta projeção efêmera, sem a exteriorização das pernas e do tronco de meu psicossoma, inclusive da área do plexo solar, que permaneceram coincidentes, e nem os elementos exteriorizados chegaram a se estabilizar fora do soma.

No meu caso, é muito raro acontecer, como nesta noite, a exteriorização da paracabeça, ou seja, o mentalsoma, antes dos membros e do tronco. Quase sempre sinto a ocorrência do psicossoma na ordem inversa, ainda de pálpebras cerradas no soma, sem enxergar nada. Isso atesta que a exteriorização e a interiorização podem ocorrer de várias maneiras, com dois tipos básicos de projeção, do mentalsoma isolado e do psicossoma, com o mesmo projetor, na mesma oportunidade, tudo dependendo dos fatores atuantes nas circunstâncias. E que fatores foram esses que funcionaram esta noite? Um deles, certamente, foi a baixa densidade do psicossoma.

Vale registrar aqui que apenas a saída da cabeça do psicossoma no caso, o mentalsoma, deixando o soma, ou seja, uma descontinuidade parcial, permitiu-me usufruir da iluminação extrafísica. Não detectei a presença visível de nenhum Amparador.

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Daí a pouco, ativando o soma, revi o relógio, 4 horas e 1 minuto da madrugada. Tempo total do episódio inteiro do afastamento da consciência do soma: 8 minutos.

O controle do pensamento, para aquele que já está projetado, é prioritário. Fora do soma, o projetor jamais deve se esquecer da sua condição de consciência exteriorizada para aproveitar a oportunidade do período extrafísico. Por exemplo, se ele se deixar absorver excessivamente pelo interesse num fato ou assunto a que fixe a atenção em demasia, pode acabar perdendo o controle mental da experiência pelo emocionalismo, se estiver de psicossoma, diminuindo a sua lucidez e ocasionando o retorno ao soma na interiorização prematura, além de prejudicar, em certos casos, a rememoração posterior.

Merece ressaltar como estudo que, nesta projeção, ocorreram duas interiorizações distintas: primeiramente, a interiorização inversa do mentalsoma no psicossoma, atraído pela consciência fora do soma. Em segundo lugar, a interiorização rotineira posterior do psicossoma na forma orgânica. Esta foi uma projeção mista, ou seja, no mesmo processo aconteceram uma projeção do mentalsoma e, logo a seguir, uma projeção parcial do psicossoma.

 

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