O DETERMINISMO DA MORTE

INTRODUÇÃO

Afirma o benfeitor Emmanuel [O Consolador-qst 146] que:

"Com exceção do suicídio, todos os casos de desencarnação são determinados previamente pelas forças espirituais que orientam a atividade do homem sobre a Terra."

O pensamento do ilustre benfeitor vem ao encontro das idéias basilares apresentadas por Allan Kardec:

"Fatal no verdadeiro sentido da palavra, só o instante da morte. Chegado esse momento, de uma forma ou de outra a ele não podeis furtar-vos." [LE-qst 853]

"É na morte que o homem é submetido, de uma maneira absoluta, à inexorável lei da fatalidade, porque ele não pode fugir ao decreto que fixa o termo de sua existência, nem ao gênero de morte que deve interromper-lhe o curso." [LE-qst 872]

"A fatalidade só consiste nessas duas horas: aquelas em que deveis aparecer e desaparecer neste mundo." [LE-qst 859]

"Somente as grandes dores, os acontecimentos importante e capazes de influir em tua evolução moral são previstos por Deus." [LE-qst 859a]

Observamos, por tudo que foi exposto, que o momento da morte e o seu gênero, é previsto pelo Espírito reencarnante ou por seus avalistas antes do mergulho na carne. O tempo médio de vida, as doenças que com maior possibilidade poderiam levá-lo ao desencarne, e outras condições relacionadas à morte são previamente determinadas.

No entanto, do fato dessas condições serem previamente programadas, não significa que não possam vir a ser modificadas. Quando Kardec [LE-qst 860] indagou aos Espíritos se homem por sua vontade e pelos seus atos, poderia evitar acontecimento que deveria realizar-se, os protetores disseram que sim, desde, é claro, que este desvio aparente pudesse caber na ordem geral da vida que ele escolheu.

Sabemos, portanto, que o tempo médio de vida que o homem terá na Terra é determinado anteriormente, mas esse tempo poderá sofrer várias modificações, para mais e para menos.

ANTECIPAÇÃO DA HORA DA MORTE

As principais condições que podem levar o indivíduo a um desencarne antes do momento programado são:

a) Suicídio Direto: o suicídio é sempre um acontecimento dramático, e não previsto anteriormente. Configura uma fuga, um ato de extrema covardia do Espírito orgulhoso que não quer enfrentar as dificuldades criadas e solicitadas por ele mesmo;

b) Suicídio Indireto (inconsciente): característico daqueles casos de morte prematura, onde o indivíduo vai minando as suas reservas orgânicas, em função de excessos, de abusos, de vícios ou mesmo de imprudência. São condições extremamente comuns e, segundo André Luiz, a maioria dos Espíritos retornam ao mundo espiritual antes da época prevista, configurando casos diversos de suicídio indireto.

Principais causas de suicídio indireto: alcoolismo, cólera, gula, tabagismo, depressão, tóxicos, sexolatria, imprudência, etc.

c) Por Mérito da Família: casos existem em que o indivíduo é retirado do corpo antecipadamente para poupar a famíla da presença incômoda de um enfermo difícil. Quando os familiares são pessoas de grandes méritos e de bons recursos morais, a espiritualidade pode trabalhar para que o parente enfermo venha a retornar prematuramente a vida espiritual. André Luiz [No Mundo Maior] relata o "caso de Fabrício" que exemplifica essa condição;

d) Por Mérito do Desencarnante: almas boas, com créditos importantes na contabilidade da vida, podem sofrer um desencarne precoce, poupando-os de sofrimentos acerbos caso continuassem na Terra.

MORTE PROGRAMADA

Allan Kardec apresenta ao Espírito São Luis a seguinte indagação [CI-2ª parte cap III]:

"Poderá uma pessoa, por esforço da própria vontade, retardar o momento da separação da alma do corpo?

Resposta: Certamente, em dadas condições, pode um Espírito encarnado prolongar a existência corporal a fim de terminar instruções indispensáveis - é uma concessão que se lhe pode fazer... como provação para o Espírito, ou no interesse de missão a concluir os órgãos depauperados podem receber um suplemento de fluido vital que lhes permita prolongar de alguns instantes a manifestação material do pensamento."

Manoel Philomeno Miranda afirma que tal condição é relativamente comum, e mostra numa de suas obras [Painéis da Obsessão] como esse processo se desenrola. Na realidade, o que ocorre é uma "transfusão de fluido vital", onde o enfermo que está prestes a desencarnar vai receber uma cota determinada deste recurso fundamental à vida, e assim permanecerá na carne mais alguns anos.

Essa prorrogação da hora da morte pode ocorrer:

a) Por Expiação: quando o apego do Espírito à matéria faz com que ele se mantenha ligado ao corpo praticamente inerte, impedindo que a desencarnação se conclua;

b) Por Prova: quando o desencarnante ainda tem lutas a enfrentar e a misericórdia divina permite que ele permaneça mais alguns anos encarnado para que se desencumba dessas provas;

c) Por Missão: em benefícios de indivíduos em que muito têm a dar a coletividade, ou a uma ou mais pessoas em particular.

Bibliografia

1) O Livro dos Espíritos - Allan Kardec

2) O Céu e o Inferno - Allan Kardec

3) Painéis da Obsessão - Manoel Philomeno Miranda/Divaldo Franco

4) Quem tem Medo da Morte - Richard Simonetti

5) Obreiros da Vida Eterna - André Luiz/Chico Xavier

6) No Mundo Maior - André Luiz/Chico Xavier

Apostila Original: Instituto de Difusão Espírita de Juiz de Fora - MG

 

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