DESDOBRAMENTO - FENÔMENO DE BILOCAÇÃO![]()
(Extraído do livro: Desdobramento - Fenômenos de Bilocação / Ernesto Bozzano / Páginas 39-40)
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Caso XV – A Sra. Natalie Annenkof escreve nestes termos ao Dr. Osty:
"Vós me pedistes para descrever os dois casos de "saída de meu corpo", casos que já vos contei. Vou tentar fazê-lo o mais exatamente possível.
Há quatro anos que aconteceu o primeiro caso. Então eu ignorava que tal fosse possível, pois nenhuma idéia tinha dessas coisas.
Na primavera de 1926, durante um dia belo e quente, estava eu no cemitério, sentada na beira da sepultura de minha filhinha, que eu perdera recentemente. Achava-me deprimida e triste, mas gozava de boa saúde. Recordo-me bem de que, enquanto observava as abelhas que faziam a sua provisão de mel nas flores que eu havia plantado, senti que me tornava leve física e moralmente. Minha primeira impressão foi a de que as minhas pernas e os braços já não pesavam, depois o ventre e em seguida o peito. E de repente achei-me acima e ao lado de meu corpo, que eu via sentada na borda do túmulo. Contemplei o meu rosto fatigado e notei mesmo que o meu manto estava manchado de terra. Tinha a sensação de pairar sobre o meu corpo, em completa beatitude, e experimentava a sensação de um grande e luminoso prazer de viver, como se eu vivesse mil vidas ao mesmo tempo e de completa quietude.
Não podia mover-me e disso não sentia necessidade, mas podia ver, compreender e ter o sentimento de uma vida interior e ditosa. Meu corpo parecia um farrapo, alguma coisa abandonada e eu pensava: "Isto é a morte!" e, contudo, sentia o prazer de viver.
Vi o guarda do cemitério aproximar-se de meu corpo, tocá-lo, apalpá-lo, chamar-me e partir correndo. Mais tarde me disse que fora chamar a ambulância, pois as minhas mãos e os pés começavam a esfriar.
Quando o vi a correr, compreendi que ele me julgava morta e repentinamente fiquei aterrorizada. "Isto é a morte!, pensei eu. Como irá meu marido viver sem mim?"
Mas eu me sentia tão cheia de vida, que disse a mim mesma: "É preciso que eu volte e entrar no meu corpo". Tentei reentrar nele, temia não poder consegui-lo.
Comecei por sentir o peso, em seguida as dores, as pequenas indisposições às quais estamos de tal modo habituados, que quase nos passam despercebidas. Logo depois veio a tristeza e uma vontade de chorar. Pouco a pouco fui recuperando meu corpo.
Há duas semanas reproduziu-se o mesmo fenômeno.
Certa tarde eu lia um livro jocoso e as farsas estúpidas faziam-me rir sozinha. De repente tive a impressão de abandonar meu corpo e o percebi deitado com o livro nas mãos, ao mesmo tempo que me senti no ar, bem ditosa, com um sentimento de vida interior. Olhava meu corpo, achava-o bem disposto e disse para mim mesma: "É pena morrer assim tão jovem!". Aproximei-me de meu corpo estendido e procurei reentrar nele. Logo senti que ele me absorvia como uma folha de papel absorvente ou como uma esponja absorvendo a água. Ai meu marido tocou a campainha e eu me levantei para lhe abrir a porta."
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