A LEI DE ADORAÇÃO![]()
FINALIDADE DA ADORAÇÃO
A concepção da paternidade divina traz benefícios enormes ao Espírito. Vindo de Deus, todas as almas são irmãs; todos os filhos da raça humana são unidos por laços estreitos de paternidade e solidariedade.
Em decorrência desses conhecimentos passa-se a entender e a justificar a relação que os homens devem ter para com o seu Criador.
Adoração, consiste na elevação do pensamento a Deus.
Pela adoração o homem aproxima dele a sua alma.
A adoração está na Lei Natural pois resulta de um sentimento inato no homem. Por essa razão é que existe entre todos os povos, se bem que de forma diferente.
Ensina-nos a Doutrina Espírita que a adoração dispensa aparatos exteriores.
A verdadeira adoração é a do coração, aquela que parte do homem e se dirige a Deus no recanto de sua consciência, sem cerimônias e rituais religiosos.
VIDA CONTEMPLATIVA
Como conseqüência do ato de adoração, muitos homens se afastam do mundo, vivendo isolados em vida contemplativa.
Nenhum mérito traz a vida contemplativa porque, se é certo que não fazem o mal, também o é que não fazem o bem e são inúteis. Demais, não fazer o bem já é um mal. Deus quer que o homem pense nele, mas não quer que só nele pensem, pois que lhe impõe deveres a cumprir na Terra. Quem passa todo o tempo na meditação e na contemplação nada faz de meritório aos olhos de Deus, porque vive uma vida toda pessoal e inútil à Humanidade.
Disseram os Benfeitores a Kardec [LE-qst 673]:
"Amparar os pobres e os aflitos é o melhor meio de homenagear a Deus."
SACRIFÍCIOS, MORTIFICAÇÕES E PROMESSAS
A palavra sacrifício, etmologicamente, tem o sentido de "fazer alguma coisa sagrada."
No sentido primitivo e unicamente religioso, representa uma oferenda que se faz à divindade, através de rituais. A oferenda pode ser representada por uma pessoa ou animal vivo, ou ainda produtos de colheita vegetal ou outros objetos.
É importante que se faça uma diferença entre o conceitos religiosos que se tem do termo e a sua concepção social ou popular. Assim, no aspecto religioso, além da característica do ritual, subentende-se que o sacrifício será consumido pela divindade. O fato de alguém exercer tarefas que certas religiões exigem dos adeptos, como por exemplo, o pagamento do dízimo, não são sacrifícios, mas regras da prática religiosas.
Raramente é usado em ciências sociais no seu significado popular de renúncia de qualquer coisa de valor em favor de qualquer autoridade superior ou objeto de respeito ou dever. O propósito declarado do sacrifício varia muito entre as diferentes culturas.
Por extensão, o sacrifício pode ser considerado como uma renúncia ou privação voluntária de alguma coisa. Neste sentido, o Espiritismo esclarece-nos que as privações voluntárias meritórias seriam representadas pela:
"privação dos gozos inúteis, porque desprende da matéria o homem e lhe eleva a alma. Meritório é resistir à tentação que arrasta ao excesso ou ao gozo das coisas inúteis; é o homem tirar do que lhe é necessário para dar aos que carecem do bastante."
Portanto, para a Doutrina Espírita, fazer o bem aos nossos semelhantes é o maior mérito que as privações voluntárias podem proporcionar.
As manifestações dos sacrifícios religiosos estão muito relacionados com as mortificações e penitências. Etmologicamente, mortificar é sinônimo de afligir-se, atormentar-se, inquietar-se ou, ainda, castigar, macerar o próprio corpo com penitências. A mortificação ocorreria devido o arrependimento ou dor do pecado cometido e, em função deste arrependimento, certas autoridades religiosas imporiam uma pena ao arrependimento para a remissão dos seus pecados. Esta pena poderia ser representada por jejuns, orações, macerações no próprio corpo e outras tantas mortificações existentes nas manifestações de culto externo.
Em [Elucidações Evangélicas] Antônio Luiz Sayão ao abordar o tema "penitência", traz-nos luz sobre o assunto que ora estudamos. Segundo Sayão:
"todos temos que fazer penitência, se não quisermos agravar as nossas culpas e tornar-nos possíveis de maiores "castigos". Mas, que vem a ser penitência? Pode ela dispensar a expiação e a reparação?"
"A penitência, que Jesus aconselhou, não consiste, como se entendeu outrora, na reclusão em claustros, nos cílios e outras tribulações materiais. A penitência a que aludiu o divino Mestre é a que constitui meio de tornarmos cada vez menos ásperas, dificultosas e tormentosas as nossas existências na Terra. Ela, pois, consiste no arrependimento sincero, profundo e no propósito firme em que a criatura se coloca de não tornar a cometer as faltas que a arrastaram à mísera condição humana e, ainda no esforço decidido de as pagar de todo."
"O Espírito penitente absorve-se todo na oração e na vigilância que Jesus recomendava e que formam um como antemural às ondas de paixões que nos lançam no abismo do infortúnio "
A respeito das mortificações, aconselham-nos os Espíritos na Codificação [LE-qst 721]:
"Procurai saber a que ela aproveita. Se somente serve para quem a pratica e o impede de fazer o bem, é egoísmo, seja qual for o pretexto com que entendam de colori-la. Privar-se a si mesmo e trabalhar para os outros, tal a verdadeira mortificação, segundo a caridade cristã."
No intuito de obter favores ou mesmo agradar a Deus ou aos bons Espíritos, algumas pessoas executam determinadas ações ou se impõem certas privações a que chamam de promessas. Vulgarmente, fazer uma promessa significa, pois, voto feito para obter alguma graça. Etmologicamente, promessa significa ação ou efeito de prometer; afirmativa de que se há de dar ou fazer alguma coisa.As promessas tiveram uma razão de ser, devido a falta de esclarecimento espiritual das pessoas que as praticavam.
Entretanto, já vai distante o tempo das supersticiosas imposições da teocracia. Vigoram hoje a inteligência e a razão como únicos fundamentos inabaláveis da fé esclarecida e ativa. Passou o tempo da fé cega. Os crentes, os verdadeiros crentes, se formam, pelo exercício livre do pensamento, pelo estudo, pela observação, pela investigação, pela análise.
Em suma, o que se conclui é que os sacrifícios, mortificações e promessas são manifestações materiais, de culto externo, exercidas por pessoas ainda distantes das verdades espirituais.
A PRECE E SUA EFICÁCIA
"Há quem conteste a eficácia da prece, com fundamento no princípio de que, conhecendo Deus as nossas necessidades, inútil se torna expô-las." [ESE-cap XXVII it 6]
Este argumento não oferece muita lógica porque, independente de Deus conhecer as nossas necessidades, a prece proporciona, a quem ora, um bem-estar incalculável já que aproxima a criatura do seu Criador.
Não existe qualquer fórmula para orar.
"O Espiritismo reconhece como boas as preces de todos os cultos, quando ditas de coração e não de lábios somente." [ESE-cap XXVIII it 1]
A qualidade principal da prece é ser clara, simples e concisa. Pode ter por objeto um pedido, um agradecimento, ou uma glorificação. As preces feitas a Deus escutam-nas os Espíritos incumbidos da execução de suas vontades.
"Pela prece, obtém o homem o concurso dos bons Espíritos que acorrem a sustentá-lo em suas boas resoluções e a inspirar-lhe idéias sãs. Ele adquire, desse modo, a força moral necessária a vencer as dificuldades e a volver ao caminho reto, se deste se afastou. Por esse meio, pode também desviar de si os males que atrairia pelas suas próprias faltas." [ESE-cap XXVII it 11]
Quando Jesus nos disse: "tudo o que pedirdes com fé, em oração, vós o recebereis" [Mateus-XXI:22] revelou-nos que o ato de orar é algo muito profundo do que se pode observar à primeira vista. Desta máxima: "concedido vos será o que quer que pedirdes pela prece", fora ilógico deduzir que basta pedir para obter e fora injusto acusar a Providência se não acede a toda súplica que se lhe faça, uma vez que ela sabe, melhor do que nós, o que é para o nosso bem.
"O que o homem não deve esquecer, em todos os sentidos e circunstâncias da vida, é a prece do trabalho e da declaração, no santuário de lutas purificadoras, porque Jesus abençoará as suas realizações de esforço sincero."
Devemos cultivar o hábito de orar, porque a prece, inegavelmente, tem sua eficácia.
"O santuário doméstico que encontre criaturas amantes da oração e dos sentimentos elevados, converte-se em campo sublime das mais belas florações e colheitas espirituais "
"A prece não é movimento mecânico de lábios, nem disco de fácil repetição no aparelho da mente. É vibração, energia, poder. A criatura que ora, mobilizando as próprias forças, realiza trabalhos de inexprimível significação. Semelhante estado psíquico descortina forças ignoradas, revela a nossa origem divina e coloca-nos em contato com as fontes superiores"
"Os raios divinos, expedidos pela oração santificadora, convertem-se em fatores adiantados de cooperação eficiente e definitiva na cura do corpo, na renovação da alma e iluminação da consciência.
Toda prece elevada é manancial de magnetismo criador e vivificante e toda criatura que cultiva a oração, com o devido equilíbrio do sentimento, transforma-se, gradativamente, em foco irradiante de energias da Divindade"
Compreende-se também que, além da importância do cultivo da oração, devemos aprender a orar e a entender as respostas do Alto às nossas súplicas."Exporemos em prece ao Senhor os nossos obstáculos, pedindo as providências que se nos façam necessárias à paz e à execução dos encargos que a vida nos delegou; entretanto, suplicaremos também a Ele nos ilumine o entendimento, para que lhe saibamos receber dignamente as decisões."
"Entre o pedido terrestre e o Suprimento Divino, é imperioso funcione a alavanca da vontade humana, com decisão e firmeza, para que se efetive o auxílio solicitado"
"Confiemos em Deus e supliquemos o amparo de Deus, mas, se quisermos receber a Benção Divina, procuremos esvaziar o coração de tudo aquilo que discorde das nossas petições, a fim de oferecer à Benção Divina clima de aceitação, base e lugar."
"Em verdade, todos nós podemos endereçar a Deus, em qualquer parte e em qualquer tempo, as mais variadas preces; no entanto, nós todos precisamos cultivar paciência e humildade, para esperar e compreender as respostas de Deus."
QUADRO XIX - Características da Prece
- É clara, simples, espontânea e breve;
- Está acompanhada de sentimento de humildade e sinceridade;
- Dispensa aparatos exteriores;
- Independe do local, hora, atitude física e gestos.
Bibliografia
1) O Livro dos Espíritos - Allan Kardec
2) O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec
3) Entre a Terra e o Céu - André Luiz/Chico Xavier
Apostila Original:
Instituto de Difusão Espírita de Juiz de Fora - MG
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